Não era Victor, era Renan
Estou na EACH. Estava lendo, e deveria continuar, o texto da aula de ontem, mas me distraí, comecei a observar o ambiente e resolvi escrever o que vejo.
Mais precisamente, estou na parte de cima do CB, o ciclo básico, num lugar onde há um grande deck de madeira, algumas plantas, alguns bancos de pedra e, ainda, algumas mesas no melhor estilo ‘piquenique’. As partes onde estão as mesas e o deck são cobertas, enquanto o lugar que estão os bancos e plantas, descoberto. Daqui se vê boa parte do meu campus, que é pequeno se comparado ao campus oeste.
Sentado sobre o deck, apoiado num pilar, escrevo sob a iluminação de um bonito pôr do sol.
De onde estou, bem a minha frente, estão as três mesas de piquenique. Na primeira delas está sentada uma garota morena, de óculos, chegou há pouco, assim que comecei a escrever. Na frente dela, um homem por volta dos 35, 40 anos, vestindo roupa social, lê um livro e confere algo em um papel. Talvez comparando informações. Ao lado dele, um homem um tanto mais novo está estudando um texto. De vez em quando olha para o horizonte, apertando os olhos, como se quisesse fixar as linhas lidas em sua memória. Já estava aqui quando cheguei, cerca de meia hora atrás. Ainda na minha frente, porém mais afastado, já na área descoberta, outro homem, por volta dos 35 anos, descansa. Observei sua chegada, quando olhou para o ambiente, provavelmente analisando onde se sentaria, decidindo por sentar-se em um banco. Ele sentou, subiu a calça jeans até os joelhos, e, quando pensei que tiraria o tênis, deitou-se sobre o banco.
Agora um rapaz com um headphone no pescoço passou por mim, descalço, segurando um livro aberto nas mãos. Ele é mais novo que os caras já descritos, tem no máximo 25 anos. A beleza dele é simpática, agradável. Quando o observei anteriormente, estava também sentado sobre um banco na parte externa, mas escutava música e nada lia. Gosto de gente espontânea. Ou pelo menos gosto da espontaneidade passada pelo gesto de andar descalço.
Enquanto eu escrevia, chegaram bastantes pessoas, sentando-se, todas, na mesa de piquenique seguinte à que estão os dois homens e a menina morena, que agora está guardando o material na bolsa.
Na última mesa, a mais afastada de mim, está uma mulher loira, usando camiseta verde do mesmo tom da minha. Naquela mesa estavam mais pessoas, mas foram embora sem que eu visse. Não prestei muita atenção nelas. Aliás, prestei sim, em um garoto da minha turma de RP.
Quando cheguei, me cumprimentou com um aceno de cabeça, que retribuí. Não lembro seu nome, acredito que seja Victor. Lembro-me, porém, que ele é do curso de SI. O impressionante é que ele é bastante expressivo, mesmo sendo de SI. Sei disso porque ele não está somente na minha turma, mas também no meu grupo.
Agora, as luzes da EACH já estão acesas. Daqui, vejo dezenas de pessoas deixarem o espaço do bandejão, no Titanic, o prédio principal, usado geralmente só para as aulas dos veteranos. Geralmente porque, neste ano, minha turma de CN e TADI tem aula lá, toda segunda feira.
Eu gosto bastante daqui.
Olhando para baixo, mas agora para o lado oposto ao Titanic, vejo o CB, em si, e em particular os anfiteatros 1, 2 e 3. Tenho aula no 3 de terça, quinta e sexta.
Em frente aos anfiteatros algumas poucas pessoas estão sentadas, umas mexendo em tablets, outras no celular. Uma menina, mais ao canto, observa o movimento na lanchonete que, a julgar pelo barulho que chega até mim, está baixo.
As pessoas que chegaram todas juntas e que sentaram na segunda mesa de piquenique estão conversando sobre as festas que farão ao longo do ano. Pelo pouco que absorvi, são veteranos de GPP.
O clima aqui já não está quente como estava há uma hora. Um ventinho refrescante já sopra. Em tempo do primeiro intervalo, já estará frio.
A amplitude térmica aqui é enorme.